Está tão denso que sequer ousamos, não agimos.
Não desperdice seu jovem coração. Aquela lua dourada e gigante sabe mais que todos nós; o silêncio é tão mais sonoro que as velhas ladainhas, os abraços são preciosidade, confissões são lindas. O mistério é melhor assim, não quero saber mais. Todas as histórias que imaginei, foram tantas; agora, o futuro, o passado e o presente estão aqui, e toda as inúmeras possibilidades de destino são palpáveis. Pode ser que os músicos errem a música no início, mas o maestro vai nos ensinar a sermos mais humanos e atingiremos a perfeição com a passagem dos compassos, o instrumento não desafinará mais, a beleza existirá em cada gente, em cada paisagem; nas sutilezas.
-Rá. Não entendo como ela pôde ficar tanto tempo apaixonada por você, disse a garota, abrindo um leve sorriso.
-Pois bem, eu e ela somos muitos parecidos. E me amando, ela pôde se amar. Agora que nos separamos, como ela pode amar sem um intermediário? sem um impulso? Isso seria egocentrismo demais na opinião dela. Pois para ela, o correto é amarmos primeiro o mundo inteiro e depois a nós mesmos, amor este concedido por mera misericórdia. Ela não entende que o processo é inverso. E depois de tantos contratempos, o fim estava próximo sem sabermos, no triunfo do sentimento choveu confete negro e quase ninguém acreditou. A estupidez predominou. A partir daí, me odiando, ela também passou a se odiar; o espelho refletido expôs todos os limites a que estava submetida, todos os obscuros lados, toda a dependência de precisar amar alguém para poder se amar, para poder seguir. A vaidade dela foi ferida demais. E ela vai buscar reconfortos para si, vai ficar batendo a cabeça por causa de lembranças bonitas, irá ficar ouvindo as mesmas músicas do passado, irá teimar, irá chorar além do necessário para depois, quando voltar a ser plena, entender que simplesmente não era para ser. No seu mundo, só as fortes emoções imperam e ela ainda não se acostumou com a leveza da nova fase de sua vida. As pequenas coisas tornam-se tão catastroficamente dramáticas, tão terrivelmente sofridas e as grandes, bom, elas permanecem tal como são. Portanto, não existe espaço para a doce calmaria. Existem ,entretanto, momentos em que vem o sentimento de esperança, mas sentir esperança é esperar e esperar não é agir. E não agir é permancer estagnado, preso a idéias que lhe são inalcançáveis. Concluo que com esperança não se alcança a felicidade. Felicidade é o aqui e agora. É amar o que vivencia, o que tem, o que pode realizar....Talvez algum dia....consigamos resolver.... com aquele abraço do perdão... aquela já tardia despedida... porém, talvez não também....está tão denso que sequer ousamos, simplesmente não agimos...
muito bom. e de fato, o mundo é para os artistas que conseguem seguir a tenue ondulaçao dos sentimentos! bem vinda escravidão dos sentimentos!
ResponderExcluir