quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Anedota ou Get Happy ou Como as pessoas se autoboicotam



( Quando enxerge o outro. Momento I)
Esses cílios retos e tão pretos compõem a moldura para irradiar as amêndoas brilhantes que existem nos seus olhos.  E sua barba traz a nostalgia de ser mulher de alguma existência pregressa... Pois sua voz tem uma doçura e guarda uns espaços de tempo que me constrangem. O papel que envolve essa florzinha entende o que sinto, ele se rende quando o abrem. E assim o faço: rendo-me a felicidade.  

 ( Quando passa a desejar o outro. Momento II)
Quero ficar morena, da cor da sua pele dourada, quero meus dentes brancos, claros que nem seu sorriso. Quero seus lábios colados nos meus, feitos para assim estar. Quero continuar a história que eu já criei, pois sei que assim será. Quero continuar nesse leve estar, de ficar olhando suas fotos e serena com o que está porvir. 


 ( Quando está vivendo o romance e o coração vacila. Momento III)
Olhando o horizonte, eu sentia seu coração bater acelerado me dizendo coisas que o silêncio não revelava.  E eu não entendia nada desse romantismo simples e sincero.

  E como agora se comporá o final? 

(  ) Para os românticos: 
É que esse seu olhar de café preenche de cheiros meu olhar de água escura [de mar do Sul] condutor da possível vida ainda por existir- condutor do amor e da amizade- condutor da alegria dourada!-Espero por você, sim. Estarei de braços abertos quando estiver pronto para caminhar comigo na luz do sol. Sorrirei e você entenderá que está tudo bem e agora basta um beijo calmo para curar. 

(  ) Para os céticos: 
-Foi só o medo de ficar sozinho novamente. Foi só o tesão falando-....
Ee a princesa não deu chance para ele, não deu chance ao tempo de surgir um outro sentimento, matou-o cedo com sua busca por perfeição.  A inflexibilidade de alguém sem vivência, a ingenuidade de almejar o perfeito! Passos solitários e amargurados deixam os pés da princesa pesados. Passos solitários e amargurados: não têm ninguém lhes esperando na esquina da rua. E surge a pergunta terrivelmente cruel: "E se? "  Cena escurece com uma música bem melancólica ao fundo.



Mas isso magoa a gente que tá só querendo viver um dia após o outro. A perfeição é um horizonte que  se distancie quanto mais nos aproximamos dele. Princesa, Vive, Vive e muda esse final de história triste! Não há porque ser assim, beije o mundo, seja feliz! A felicidade invade o meio do peito e formiga até a ponta dos dedos explodindo em clareza de pensamento, em clareza de sentir e de ser grato. Um campo selvagem também é bonito e merece ser amado..... 


O que você escolhe ? Porque, na verdade, só existe um final lhe esperando: o feliz. Mas como você acha que ele acontece? 

"Feliz é a inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança"

Não seja um tolo . 
Não seja esquecível.
Faça sua vida acontecer.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011




Música nova, gente! Ok, a qualidade da gravação está bem precária e o meu amadorismo também não é capaz de tornar a música mais bela. Entretanto, espero que possam apreciá-la com as devidas considerações já apontadas.

P.S: Em breve mando a versão final da música. 

sábado, 8 de janeiro de 2011

Não me abandone jamais

(eu postei antes aqui: www.cafecommeleleite.blogspot.com
mas aí hoje percebi como faria muito mais sentido dividir com vocês. )




"baby, baby... never let me go"


Existem livros bons. Livros ruins. Livros ótimos, livros bem-escritos. Mal-escritos. Obras-primas. Livros famosos e livros "de polpa". Best-sellers e aqueles que só a família do escritor lê. Tem também aqueles que nem a família do escritor lê. Tem os fenômenos. E aqueles que a crítica descem o pau. Tem os livros que a gente empurra página por página goela abaixo, não vendo a hora de chegar no fim. E aqueles que a gente devora. Tem livros que mudam as pessoas e outros completamente esquecíveis.
E tem aqueles livros, raros livros, que parecem feitos pra gente.

Então não importa a opinião da crítica ou o quão tecnicamente aperfeiçoados eles são. Na verdade, não importa nada disso aí de cima. Tudo é irrelevante, a não ser aquela relação de cumplicidade que se desenvolve entre leitor e leitura durante as horas compartilhadas juntos.
Eu sei que é meio piegas falar assim, mas eu não conseguiria descrever de outro jeito Não me abandone jamais. Claro, essa é uma descrição muito pessoal. Talvez até demais. Mas quando esse tipo de laço se desenvolve com uma obra é impossível falar sobre ela como quem analisa de fora. Eu ousaria dizer que é até um desperdício querer analisar, por exemplo, a estrutura narrativa, o quão crível são os personagens, os pontos de virada e os truques estéticos. Às vezes acontece de uma história nos afetar além do racional ou da superfície emocional provocadora de lágrimas, ela nos atinge em algum lugar meio desconhecido e, de repente, é como se ela fosse parte de nós mesmos. E só dá vontade de ler, ler e ler, de imergir completamente pra dentro desse novo universo, de ser parte do livro. Dá vontade de ler rápido e chegar logo ao final e, ao mesmo tempo, dá vontade de que a história nunca realmente acabe.

Eu acho que é isso que os professores querem dizer quando mencionam "a magia da leitura". Ou não. Mas pelo menos, pra mim - que não sou professora - é isso que significa. Essa é a magia. Essa sensação de ter encontrado um refúgio que é só teu e, ao mesmo tempo, uma companhia cheia de personagens e de vida. Essa coisa de apoderar-se da história e de repente ela é a sua história favorita e ai de quem falar mal do livro, ou dizer que não gostou! Dói como se a pessoa tivesse ofendido a nós mesmos. "Sério que tu gostou desse livro? Eu achei uma porcaria!" é quase como um "Pelo amor de deus, Fulaninha. O que diabos tu fez na cara? Tá parecendo uma ogra assassina".

E foi isso que "Não me abandone jamais", depois de 18hs lendo sem parar, se tornou pra mim. Uma extensão, um pedacinho de mim mesma escrita em 344 páginas. Talvez, eu diria, um pedacinho muito melhor e mais lindo que qualquer outro. O meu melhor.

"Ruth, por falar nisso, foi apenas a terceira ou quarta doadora que pude escolher. Já havia uma cuidadora designada para ela, na época, e lembro-me que foi preciso uma certa dose de coragem de minha parte. Mas no fim dei um jeito, e assim que a vi de novo, naquele centro de recuperação de Dover, nossas diferenças - ainda que não tivessem exatamente sumido do mapa - não me pareceram nem de longe tão importantes quanto tudo o mais: o fato de termos crescido juntas em Hailsham, o sabermos e nos lembrarmos de coisas que ninguém mais sabia ou das quais ninguém mais se lembrava. Foi dessa época em diante, imagino, que comecei a buscar nos doadores pessoas conhecidas no passado e, sempre que possível, de Hailsham.
Houve épocas, no decorrer desses anos todos, em que tentei esquecer Hailsham e me convencer de que não seria bom ficar olhando tanto para trás. Porém num determinado momento simplesmente parei de resistir. E isso teve a ver com um doador em particular, de quem tomei conta certa feita, no meu terceiro ano como cuidadora; com a reação dele quando comentei que era de Hailsham. Ele tinha acabado de sair da terceira doação, que não dera muito certo, e já devia saber que não iria se safar. Embora mal conseguisse respirar, me olhou e disse: "Hailsham. Aposto como era um lugar lindo". Na manhã seguinte, batendo um papinho na tentativa de distraí-lo daquilo tudo, perguntei de onde ele era; o doador mencionou algum lugar em Dorset e sua expressão, por baixo da pele manchada, passou a um tipo bem diferente de esgar. Foi então que caí em mim e percebi a vontade imensa que ele tinha de não se lembrar de nada. Tudo o que ele queria era que eu falasse de Hailsham.
Portanto, durante os cinco ou seis dias que se seguiram, contei-lhe tudo o que ele quis saber, enquanto, do leito, ele me ouvia fascinado, com um leve sorriso nos lábios. Falei dos nossos guardiões, das caixas com as coleções que eram guardadas debaixo da cama, do futebol, das partidas de rounders, do caminho estreito que contornava todos os cantos e recantos externos do casarão, do lago com os marrecos, da comida, da vista que tínhamos das janelas da Sala de Arte pela manhã, com os campos cobertos de bruma. Às vezes ele me fazia repetir vezes sem conta a mesma coisa; algo que eu mencionara no dia anterior voltava a ser alvo de perguntas, como se ele nunca tivesse escutado uma única palavra sobre o assunto. "Vocês tinham um pavilhão de esportes?" "Quem era seu guardião predileto?" De início, pensei que fosse apenas efeito dos remédios, mas depois me dei conta de que ele estava bem lúcido. Mais do que ouvir falar de Hailsham, ele queria se lembrar de Hailsham como se Hailsham tivesse pertencido a sua própria infância. Sabia que estava perto de concluir, de modo que me fazia descrever as coisas de forma que elas penetrassem de fato em sua lembrança. A intenção dele, talvez- durante as noites insones devido aos remédios, à dor e à exaustão -, era tornar indistintos os contornos que separavam as minhas memórias das suas. Só então compreendi, compreendi de fato, quanta sorte tivéramos - Tommy, Ruth, eu, na verdade todos nós."

título: Não me abandone jamais [Never let me go]
escritor: Kazuo Ishiguro
tradução: Beth Vieira
editora: Companhia das Letras
páginas: 344
ano: 2005






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E tem o filme. É com a Keira Knightley, a Carey Mulligan e o Andrew Garfield. Foi lançado nos EUA ano passado e eu acho que chega aqui no Brasil em maio. Já tem pra baixar em alta resolução. De qualquer jeito, leiam o livro primeiro. O filme também é lindo, mas leiam o livro primeiro.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desejo


Ainda me lembro do teu ultimo olhar
posso sentir os teus olhos fitando
Os meus movimentos, me admirando
quando nem eu mesma conseguia admirar...

Ainda me lembro do teu ultimo toque
Tuas mãos deslizavam no meu corpo ardente
O fervor daquela noite, chama ascendente
De um amor confuso e cheio de retoque

Ainda me lembro das tuas palavras
Dizendo que me queria naquela noite
E que o céu e o inferno não eram tão longe quanto nossas mágoas

Ainda me lembro quando vimos a senoite
surgir como bala no meio de nossos abraços em névoas
Tão delicados, tão profundos e tão rápidos como uma pernoite.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Penélope e Dear John, ou: a guria da sala de estar

Hoje terminei de ler aquele livro do Nicholas Sparks que virou filme, Dear John - Querido John em português.



A história é meiga e previsível, fala sobre amor e sobre guerra e sobre soldados e sobre o Iraque. Mas o ponto que eu queria compartilhar não é exatamente esse.
Eu queria falar sobre o Complexo de Penélope.

Dando uma olhada superficial no google, não achei nada produtivo com esse assunto. Mas já deve existir alguma teoria acadêmica e estudade e científica sobre o assunto - que eu não conheço. Por isso tudo que escrevo aqui é só o meu achismo.

Penélope é a esposa de Ulisses nas histórias "Ilíada" e "Odisséia". É mais ou menos assim: eles se amam. Aí Ulisses é chamado pra lutar na guerra. Aí ele vai e ele luta e tenta voltar pra casa. Só que no caminho de volta muitas obstáculos e coisas ruins vão acontecendo. E a guerra foi demorada. Então Ulisses demora muito pra voltar. Enquanto isso, Penélope fica esperando por ele. Aí todo mundo acha que Ulisses morreu e obrigam Penélope a casar com outro cara. Aí ela diz que só vai casar quando terminar de costurar uma colcha pro enxoval. Só que ela ama Ulisses e acredita que ele vai voltar e está decidida a esperar por ele o quanto for necessário. Por isso - e para não levantar suspeitas - ela passa o dia costurando a tal da colcha. E a noite descosturando. Então, a colcha nunca fica pronta e ela nunca pode casar, esperando eternamente por Ulisses.

Licenças poéticas a parte, essa é mais ou menos a ideia central da história de Penélope e Ulisses. E o que eu queria comentar é essa coisa que se repete. Nós, Penélopes, queimamos sutiãs, conquistamos espaço no mercado de trabalho, independência sexual e financeira, direitos iguais, etc, etc. E, de algum jeito obscuro e patético, volta e meia nos pegamos sentadas no sofá da sala de estar descosturando colchas e esperando Ulisses voltar pra casa.

Aí eu me lembro daquela música Kriptonita de um conjunto chamado Ludov que tem um verso que é mais ou menos assim:

Enquanto eu te quiser esteja em casa, esteja na sala de estar.

E lembro também daquele outro livro da Audrey Nieffeneger que também virou filme o The Time Traveler's Wife - horrivelmente distribuído no Brasil como Te amarei para sempre.
´
Então me pego pensando que, de algum jeito  e mesmo com todas as suas particularidades, todas essas quatro "´histórias", em suas essências, são a mesma. Nós damos voltas e mais voltas, escrevemos páginas e mais páginas e sempre voltamos pro mesmo buraco central: por que diabos esperamos?

Nieffeneger indaga, logo no primeiro parágrafo de seu livro, usando Clare, sua Penélope moderna "por que a ausência intensifica o amor?"
E eu repito aqui esse questionamento, com uma fé meio embaçada de que mais alguém entenda esse monte de pensamentos vomitados aqui e consiga desenvolver algumas sentenças. Por que a ausência intensifica o amor? Quer dizer, antes disso: a ausência realmente intensifica o amor? E se sim, o inverso seria também verdade: a constante companhia o enfraquece? a rotina, o amor calmo e sem atos, a ausência de uma jornada do herói faz tudo ficar chato e cansativo?

Será que encontrar um Ulisses - ou um João - que ao invés de partir decida ficar do nosso lado enrolando novelos de lã na sala, será que isso faz ele perder o encanto? E por quê? Por quê? Será que é nossa sina, mesmo depois de todos os sutiãs e todos os anticoncepcionais, continuar olhando pro céu no primeiro dia de lua cheia esperando ele voltar? [reticências]

terça-feira, 30 de novembro de 2010



Chet baker.



Radiohead.



Philip Glass.

  
Wilco.


Beirut.



Tudo isso é até muito bonito, mas eu gostaria mesmo é de ser implacável. É, isso.


                                                                            Ennio Morricone.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Auto-explicativo

(Escrevi o poema outubro de 2009, conheci a música há umas 2 semanas)


OUTUBRO

Vem, vem cá...

Não vira de costas não...

Vem marcar a minha vida, tão intencionalmente pacata.

Vem, mexe comigo

Não com o que és, mas com o que fazes.


Parada, com seu marca-texto na mão.

A folha branca na mesa,

O cabelo preso

Pronta para marcar a vida do próximo que surgir.

Nem triste, nem alegre: À postos


E assim eu quero ser:

Ser tinta e pintar as paredes

dos teus desejos com as cores que trago comigo

Te olhar e não ser teu vigia...

Quero dar significado ao significante,

Quero ser o teu ar...

Sem restrição de tempo ou lugar


Vai, me faz um poema, um bolo, um sorriso.

((É, faz um sorriso só pra mim)

Deixa tua marca, se doa um pouquinho...